domingo, 5 de junho de 2011

Ventilador XG


Animado pela criação do amigo Andrei (um dos poucos que me defendeu), e esbaforido de calor (fiz essa gambiarra no verão), resolvi também fazer meu próprio ventilador XG. No início era pra ser uma coisinha bem simples, tipo um ventilador velho pendurado na parede. Mas ao contar pra patroa porque eu estava chegando em casa com uma hélice enorme embaixo do braço, ela sugeriu que o aparelho tivesse um acabamento mais apresentável, pois assim poderíamos usá-lo dento de casa, e não só na oficina. Como eu não sou doido de contrariar a meritíssima, mudei os planos.

Tudo começou com uma hélice bem ajeitada dando bobeira na minha frente em plena sucata. A menina que toma conta de lá (filha do dono) é gente boa demais, e não quis me cobrar pela hélice, embora eu não nem de longe um bom cliente.



  
E um motor de WEG 1/4 de tanquinho, comprado na mão do carroceiro por “dérreal”.



Tudo preso à bancada, fiz um teste preliminar e ventou bem, embora o capacitor de partido estivesse ruim. Mas eu tinha à mãos um de 22µf (o original era de 20µf) que funcionou perfeitamente.




Já que ele não seria mais um objeto perdurado no teto, tive que improvisar uma caixa. No quintal havia um depurador Suggar que não tinha mais planos de voltar à parede, então foi ele mesmo.



Primeiro tirei a turbina e guardei para o futuro, depois abri na parte de cima uma janela pouco maior que o diâmetro da hélice.



A grade original dele, que sustentava a manta, foi mantida, mas puxada mais para trás e fixada com parafusos.  



Para suportar o motor com firmeza fiz um “H” de madeira, poderia ter sido com metalon, mas o que eu tenho está acabando, então variei um pouco.




Uma montagem prévia pra ver se estava tudo ok e ficou assim:



Decididas as formas, limpei, lixei e dei um fundo em todas as partes de aço e madeira:



Depois, com a pistola de pintura, apliquei esmalte sintético Suvinil na cor azul geladeira (também chamado de azul calcinha ou azul fusquinha). A hélice não foi pintada, só estava secando do banho.



Claro que o motor também levou um trato:



Finito! Ele ficou assim:



E de costas:



Para facilitar o transporte foi instalada uma alça dessas usadas em movelaria. Tive o cuidado de fazer o PBC e achar o centro de equilíbrio para ela.



O interruptor e os acabamentos são originais do depurador, só foram pintados com esmalte sintético prata.




Um detalhe do motor:



E ele pronto:




E ele ao lado do Arno 30cm, que apesar de ser Arno, não me deixa na mão desde 1993.



Como todos notaram, ele ainda está sem a grade da frente, mas isso será providenciado em breve, como não temos crianças em casa, não há riscos. Minha maior preocupação era a hélice sugar alguma coisa que estava atrás dela, o que quase aconteceu com uma lata de refrigerante vazia que estava na bancada. Aliás, a força dele é tamanha que originalmente o gabinete estava apoiado em pés de borracha, mas quando eu ligava o motor, o forte empuxo, aliado ao pouco peso e centro de gravidade alto, o faziam cair para trás.

Nem vale a pena colocar a lista de custos, já que tudo estava à mão, menos a hélice e o motor, mas isso já foi falado no texto.
O desempenho ficou ótimo, mas o barulho é que está acima da média do conforto. E mesmo que todos saibam o que faz um ventilador, independente do tamanho, fiz um pequeno vídeo, só pra florear o blog:


Extensão Retrátil

Nas minhas coisas ferramentísticas sempre tem umas extensões, mas que nem sempre estão à mão. Por isso resolvi dar uma ajuda pra patroa e fazer uma extensão só pra ela usar.
 
Outro dia desmontei um aspirador de pó Walita, mas isso é outra história, o importante mesmo é que ele tem um sistema de fio retrátil, a dona de casa puxa o fio de dentro do aparelho e ele fica desse jeito. Depois de usar basta ela apertar uma parte do aspirador que o fio é puxado para dentro por uma mola espiral. É esse mecanismo que nos interessa.

Primeiramente fiz uma estrutura para acondicionar a extensão, para tal usei apenas algumas aparas de metalon que tenho guardadas para ocasiões como esta. A coisa ficou assim:




Não sei porque, mas tem dias em que eu faço uma solda que fica um primor, já outros dias parece que a solda foi feita por um epilético cego, de tão ruim que fica. Ontem foi a segunda opção.
Mas de qualquer forma dei uma esmerilhada nas soldas e arrematei com massa de funileiro:




  
Esperei até a noite e lixei.
Antes de dormir dei uma mão de tinta. Já que era pra minha esposa, pintei de rosa, assim não cederei à tentação de ficar usando o que não é meu.






Os pés foram rosqueados no próprio metalon, os furos foram abertos com broca e a rosca feita com macho de 1/4. As aberturas fechadas com acabamentos para móveis, encontráveis em qualquer boa loja de ferragens.





Resolvi aproveitar uma das aberturar e colocar um acabamento aditivado. Nele instalei a tomada, que foi doada pelo estabilizador que virou ponteadeira. Nada se perde, tudo se aproveita.
Os fios e conectores foram aproveitados do próprio aspirador, tudo foi isolado com espaguete termo retrátil.





Aqui aparece melhor o sistema que enrola o fio, e que foi tirado do aspirador. O fio que sai do miolo é o que vai até a tomada fêmea e é fixo. Ia colocar um cabo PP pra dar acabamento, mas não tinha conectores nessa medida, então mantive os originais e os uni, mais uma vez, com espaguete termo retrátil.




Na entrada do metalon instalei um coxin de impressora matricial que serviu de acabamento para a passagem do cabo, isso também evita que rebarbas do furo cortem a capa com o atrito.

Na primeira vez que mostrei isso na internet, alguém comentou que minha gambiarra parecia um Pokemon; pesquisei e achei isso aqui, deixo que cada um tire suas conclusões sobre alguma possível semelhança.


domingo, 15 de maio de 2011

Máscara de Solda Personalizada

Essa não é bem uma gambiarra, mas só um pequeno capricho para deixar meus EPIs mais legais. Tenho uma máscara de solda daquelas comuns, de material bem vagabundo, mas que me atendem bem até hoje. Ela é essa aqui:


 Um dia, na aura época em que eu tinha tempo livre, resolvi dar um capricho na tal máscara e bolei uma pintura original. A idéia era ficar desse jeito (simulação no Photoshop):


 Antes de mais nada fiz máscaras e imprimi na impressora mesmo. Melhor seriam máscaras de vinil adesivo, mas eu não tenho um plotter de corte.


 Aplicadas as máscaras à máscara (não confunda máscara de pitura que delimitam o local a ser pintado e máscara de solda que está sendo pintada) com cola permanente e feito o empapelamento com jornal e fita crepe, comecei a jogar tinta. Usei esmalte sintético sobre um promotor de aderência apropriado para plásticos e um fundo branco, obviamente. Bem, a  pintura em si não tem muito mistério, então vamos à sequência de imagens:




 Enquanto eu retirava uma das máscaras, vi que uma tinta tinha borrado sobre a outra, e isso me deixou bem chateado e em consequência disso algumas palavras pouco bonitas foram ditas. Minha esposa, então, em sua infinita sabedoria viu e disse que se a pintura ficasse muito certinha não pareceria "coisa de oficina". Sabe de uma coisa? Ela estava certa como sempre, ferramentas e afins não têm que ser bonitinhas, tem que ser broncas, ferramente é coisa pra ficar na mão de macho, não pra ficar na cristaleira.
Perfeito, me preocupei menos com a exatidão das máscaras e mandei bala.






No final fico desse jeito:





Pra arrematar, um toque de humor, pois trabalho bom é aquele que a gente faz se divertindo:




Ele é o cara! 

domingo, 1 de maio de 2011

MIni Forja Com Lata de Conserva

Essa é a mais antiga gambiarra que eu registrei e postei na internet, tudo começou quando precisei dobrar uma barra de aço e pela falta de recursos, o trabalho foi multiplicado por 1.000. Todos sabem que metal aquecido fica mais maleável, então o caminho seria esse. Dei uma pesquisada na net e descobri o princípio de funcionamento de uma forja. Mas não uma forja para cuteleiro, minha necessidade é bem menor, assim como a disponibilidade de material e tempo. A melhor maneira de aprender é errando. Custa mais caro e dá trabalho, mas rende boas histórias.
Minha primeira tentativa foi usando uma lata de extrato de tomate. Retirei o fundo com um abridor de latas comum e ali fixei uma ventoinha de computador. Fiz furos nos lados e passei uns arames onde o carvão ficaria apoiado. Como o calor seria soprado pra cima, a ventoinha não sofreria danos (foi o que eu pensei). A princípio funcionou muito bem, até que pequenos pedaços de carvão passaram pelos arames e caíram sobre a ventoinha. Conclusão, a hélice caiu no meu pé e o carvão veio logo atrás.
De volta à prancheta!
Desta vez fiz diferente. Usei uma nova ventoinha (ta vendo como é bom guardar tranqueiras?), uma lata de Smirnof Ice e uma lata de extrato de tomate. Retirei a tampa da lata de Ice e apertei uma madeira contra a lateral até que ela ficasse chata. Coloquei a boca da outra lata em cima e risquei. Com um estilete fui cortando e abri um buraco por onde a lata de extrato foi passada, depois as frestas foram vedadas com Durepoxi.





 Na boca da lata de Ice coloquei a ventoinha e prendi com fita adesiva mesmo. Ficou meio serviço de porco, mas é um improviso, depois do juízo final prendo direito.



Na lata de extrato de tomate fiz 4 furos e passei arames, sobre eles coloquei três camadas de tela fina de arame, pra que o carvão fique bem apoiado mas o vento não seja barrado



Por fim com 4 bolinhas de Durepoxi fiz pés para que a lata não tombasse




 Depois que o Durepoxi secou, ela estava pronta pra usar. Coloquei um pouco de papel sobre a tela e carvão por cima. Molhei tudo com um pouco de querosene e acendi. Depois liguei uma fonte de telefone sem fio na ventoinha e pronto, era só esperar o carvão incandescer 




 Pra regular a força do vento, e consequentemente a temperatura e consumo de carvão, eu coloquei uma caixa de fósforos vazia na frente da ventoinha, assim ela puxa menos ar.
Como a forja é a carvão, dá pra ver nas últimas fotos que ela faz um pouco de sujeira, então nem pensar em usar dentro de casa. Na foto seguinte pode-se ver que a lata está incandescente, tamanho é o calor.




 Aqui a ponta do vergalhão já branca de tão quente.



Vergalhão não pega têmpera, então a esfriada na água foi só mise-en-scéne



Depois de usada ela ficou nesse estado.



A tinta queimou toda, o Durepoxi ficou preto, mas a lata de cima resistiu e tanto a de baixo quanto a ventoinha estão perfeitas, em plenas condições de uso.
Com uma forjinha destas, que custa o que se tem jogado num canto de casa, dá pra amolecer metais pra moldar na marreta, ou dobrar peças muito duras. O uso fica por conta de cada um, lembrando sempre que isso é um quebra galho, você não vai forjar a espada de Thundera em casa.
Pra quem quiser, tem um filminho absolutamente tosco mostrando melhor o teste, é bem aqui:



Como gostei da brincadeira, em breve farei uma maior.
Quem animar e fizer a sua, conte a história.

Tabela de Leitura de Resistores

Muita gambiarra leve um toque de eletrônica, e mesmo quem sabe bem pouco, ou já soube e esqueceu (meu caso), ainda consegue se virar com o que tem à mão. Uma coisa que nunca é de mais ter por perto é a tabele de leitura de códico de cores, usada principalmente em resistores, mas também em antigos capacitores de poliéster. Olhando meus antigos papiros, encontrei uma boazinha, e refiz no computador. Deixo aqui para quem quiser pegar. Clique na imagem que ela aumenta.