domingo, 20 de maio de 2012

Apertando as Porcas da Roda com Segurança


Pode até parecer que uma coisa não tem a ver com a outra, mas morar perto da Embraer tem me ajudado muito com as gambiarras. Como? Tenho conhecido gente ligada à aviação (engenheiros, mecânicos e montadores), que têm me ensinado coisas muito interessantes, principalmente na área de segurança. Como vocês devem imaginar, na aviação,  segurança é prioridade.
Um das coisas que aprendi é o perigo do sobre torque. Sobre torque é quando você aperta um parafuso ou porca além do necessário, e muitas vezes, além do que ele suporta. E na construção de uma aeronave (outra coisa que aprendi, falar aeronave e não avião) cada parafuso tem seu torque ideal de aperto determinado pelos engenheiros, de acordo o uso e os materiais de que é feito e em que será aplicado. Essa informação vai para o manual de manutenção da aeronave e, acreditem, o (bom) mecânico não aperta um parafuso sem ler o manual antes, literalmente! Pode parecer muito, mas são esses cuidados aparentemente exagerados que fazem da aviação o meio de transporte mais seguro existente.
Já com esse conceito no sangue, fiquei atento a não apertar muito os parafusos que vi pela vida, até o dia em que meu pneu furou e eu tive que retirar a roda do carro. Bem, eu peso mais de 90kg e precisei não só subir, mas pular sobre a chave de rodas para que as porcas soltassem. Salta aos olhos que isso está exagerado, e como meu carro é um Del Rey, assim como Corcel e Pampa, tem a roda presa por apenas três parafusos, quer dizer, se um quebrar, vai fazer muita falta.
Qual a solução mais óbvia? Claro, comprar um soquete 19 e um torquímetro bem modesto. Modesto quer dizer barato? Claro, afinal estamos trocando uma roda, e não construindo um foguete. Mas antes, vamos dar uma olhada no manual do veículo... hum, “Substituição das Rodas”... página 47... Epa! O manual não informa o torque ideal. Vacilo da Ford, viu?
Vamos ao Plano B: as rodas do Del Rey são presas com porcas que atarraxam aos parafusos que ficam presos no tambor de freio (por isso são chamados de prisioneiros).



O primeiro passo foi soltar as porcas apertadas excessivamente e limpá-las com solvente para remover graxa e toda a sujeira que ela retém. O que eu pretendia era apertar as porcas apenas com a força dos braços, tendo assim certeza de que não haveria exagero. Mas aí bate exatamente a mesma dúvida que você acabou de ter: será que está suficientemente apertado? As porcas não vão se soltar enquanto eu dirijo? Há essa possibilidade sim, por isso, voltando àquele papo de aviação, lancei mão de um artifício muito usado em aeronaves, o freno. Freno nada mais é que um modo de evitar que porcas ou parafusos afrouxem por causa da vibração, e o mais comum deles é o freno com arame.
Como funciona? Simples demais, as cabeças dos parafusos têm furos passantes, geralmente em todas as seis faces, e o freno é feito da cabeça de um parafuso para a do outro, um arame torcido passa por dentro da cabeça, contorna-a no seu sentido de aperto e depois faz a mesma coisa na outra, ainda no sentido de aperto. Para que? Se um dos parafusos tentar desapertar, puxará o arame, fazendo com que o outro parafuso aperte ainda mais. Como isso não é possível, eles simplesmente não desapertarão. A explicação ficou complexa? Olhem a foto aí embaixo, ela mostra que a coisa é bem simples.



Entenderem o conceito? Se um parafuso tentar girar no sentido de desaperto, vai girar o outro no sentido de aperto, como um cabo de guerra, cada um puxando o outro na direção oposta sem que ninguém saia de onde está.
Bem, explicado o conceito, vamos à mão na massa. Porcas soltas e limpas de poeira e graxa, foram todas passadas pela escova de aço para remover qualquer tinta velha ou outras incrustações, depois cada uma foi vistoriada com uma boa lente de aumento em busca de sinais de dano. Estavam todas em bom estado, portanto aptas a voltar ao serviço.  Aqui cabe uma explicação, esse serviço foi feito como experiência, em uma única roda, no sábado, quando fiz as fotos, e depois feito pra valer em todas as rodas no domingo, por isso as porcas que você verá ainda estavam sujas.
Para que o arame tivesse onde passar, prendi cada porca à morsa e fiz uma marca com a punção, para a broca não correr.



Depois a coloquei na furadeira de bancada e fiz um furo passante com uma broca de aço rápido da Irwin medindo 1/16 de polegada. Ao contrário do que eu supunha, o aço da porca é bastante macio, não forçando em nada a progressão da broca, mesmo assim usei fluido de corte porque o seguro morreu de velho.




Já no lugar, ficou assim:



Agora foi só fazer o freno propriamente dito, que no meu caso foi entre três pontos:



Aqui detalhes de como o arame passa pelas porcas intermediária e final:




As marcas vermelhas? Aprendi também como o povo da viação, chamam-se linhas de fé e servem para mostrar se houve deslocamento da porca em relação à roda, caso uma delas fique desalinhada da outra.
E depois da calota colocada, ninguém diz que tem coisa diferente ali.



A instalação do arame não tem muito segredo, mas precisa de uma ferramenta especial chamada alicate de freno, que eu comprei a preço de banana por ser sucata da (adivinha!) Embraer. Eu não fiz um vídeo, mas achei este aqui na internet e com a licença do autor, vou colocar aqui pros leitores verem como a coisa se desenrola... ou nesse caso, enrola.





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domingo, 22 de abril de 2012

Lanternas com LEDs de Alto Brilho



Benditos sejam os chineses que inundaram o mercado com LEDs brancos de alto brilho a um preço justo.
Recentemente descobri uma loja de componentes eletrônicos na cidade que vende dessas ótimas pecinhas por R$0,65 cada um. Comprei dois azuis, dois vermelhos e 15 brancos. Pra começar a brincadeira substitui a lâmpada de uma lanterna em alumínio de duas pilhas AA.
Esta é lanterna:



A Lâmpada original:




Numa comparação entre a lâmpada original e o LED podemos ver que tanto o tamanho quanto a posição e espessura dos terminais é quase a mesma, precisando apenas uma simples aparada:





Com o LED já no lugar:




Aqui já aceso. Este modelo de LED tem luz direcional, mas quando recoloquei a parte frontal da lanterna com o refletor ela foi ainda mais concentrada para a frente:



Certo, a coisa tava tão boa que eu resolvi fazer melhor, afinal só isso tava muito fraco pra ser gambiarra. Peguei uma lanterna antiga, modelo “cotovelo”, que é uma réplica das estadunidenses usadas na Guerra do Vietnã.






Ela usa duas pilhas grandes e uma lâmpada GE para 2,4V; é à prova d’água, tem alça para prender ao cinto, lente de escurecimento e uma lâmpada reserva. É uma ótima lanterna, só que poderia ficar melhor:


Comecei pegando a lâmpada (boa) que estava em uso e quebrando o bulbo. Nesses momentos que eu mostro pra patroa que guardar lâmpada queimada não é tão absurdo quanto ela acha:


Retirei a solda do fundo, que geralmente encontra no + da pilha, passei uma broquinha de 1,5mm através dela e coloquei três LEDs com os terminais negativos dobrados para soldar na carcaça da lâmpada, os demais juntos saindo lá por baixo:


Aqui em close pra ver melhor como ficou:


Resultado final. Agora a lanterna tem três LEDs de alto brilho, a luz é branca, vai mais longe e a duração das pilhas vai subir feito pressão de velho em clube de streep tease. A lâmpada reserva continua nu lugar, é ainda é uma incandescente. Vou deixar lá até achar uma lâmpada queimada e fazer uma nova gambi-LED:





E uma amostra de como a luz ficou boa:




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Luminária para Furadeira de Bancada


Um dia o trabalho se estendeu até tarde e tive que usar a furadeira de coluna durante a noite. Nisso descobri que a luz em cima da bancada faz sombra exatamente onde vai a broca. Tava decidido, ela precisava de uma luz própria.
Comecei vendo o que se adequava, usei pra corpo da luminária um tubo de Axé desses pequenos:



Com a mini retífica e um disco abrasivo fiz quatro cortes:



E retirei um pedaço do tubo para que ele ficasse assim:



Claro que o cano plástico deve ser guardado para um uso futuro. Gastei uns dois discos pra essa brincadeira.
Depois fiz um furo na parte de cima, onde encaixava o birro, ali foi inserido um soquete de lâmpada retirado de um micro-ondas, o mesmo que cedeu a trafo para a solda ponto:



Uma braçadeira plástica passou pelos furos que já existiam no soquete e por mais dois que eu fiz na lata de alumínio, deixando tudo bem firme. Aqui se pode ver melhor:



No lado oposto fiz outro furo para instalar um interruptor que acionaria a lâmpada. O interruptor foi retirado de um velho fogão Continental:




Já colocado ficou assim:



O resultado final é esse, onde podemos ver que eu estava com preguiça de cortar um pedaço decente de inox pra usar como refletor e tasquei papel alumínio mesmo:



A ligação elétrica foi feita na entrada da chave, que é bipolar, assim posso ligar a lâmpada sem ter que ligar o motor. Usei fios que guardei de uma velha fonte de PC, e todos os contatos e soldas foram isolados com espaguete termo retrátil. O corpo da luminária também foi fixado com uma simples braçadeira plástica preta.



Aqui ela já instalada e apagada:



E aqui funcionando:



Geralmente no final da postagem eu falo dos custos, mas nesse caso nem tem como, tudo que foi usado eu já tinha nas caixas de sucata, então o custo, pode-se dizer, foi zero.
Quem quiser iluminar outra coisa pode adaptar esta ideia de baixo custo e fácil de fazer. Como sempre estarei aqui pra tirar qualquer dúvida


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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Luminária com Tripé

Não tem coisa mais chata num trabalho do que ter que parar quando você está no embalo. Isso acontece muito comigo por culpa da noite que chega, como minha oficina é pequena, muitas coisas precisam ser feitas no quintal, mas lá a iluminação é fraca. Pra contornar esse problema tomei vergonha na cara e fiz uma coisa que já tinha que estar pronta há tempos. Uma luminária forte e móvel. O material estava guardado esperando.

Primeiro as luminárias em si. São duas cúpulas de alumínio dessas de jardim, compradas num ferro-velho pelo valor padrão deste tipo de estabelecimento, ou seja, dérreal. Como se pode ver na imagem, elas estavam bem judiadas:

  

Primeiro passo, limpar e desamassar. Felizmente o alumínio não havia sido perfurado, estava apenas amassado sujo e oxidado, nada em que não se possa dar um jeito.



Os acessórios foram desmontados e limpos, em parte com banho ácido, em parte com a escova de aço do esmeril. Casa material com seu uso mais adequado.



Algumas coisas foram guardadas para outros usos já que a luminária agora seria usada de forma diferente. Já algumas partes foram descartadas pelo péssimo estado em que estavam, como é o caso dos soquetes E27, que foram substituídos por novos:



As cúpulas, depois de lixadas levaram uma camada de fundo universal Duxone da Dupont e logo depois receberam duas camadas esmalte sintético de tinta amarelo Caterpillar da marca Koris:



Seguindo a dica de um amigo, batizei a tinta com catalisador próprio para tinta esmalte, isso faz com que ela seque mais rápido e fique com acabamento melhor.
Por dentro apliquei tinta cromo spray (Chemicolor), que nada mais é que a boa e velha tinta alumínio. Isso visa melhorar o direcionamento da luz.



Parafusos, porcas e arruelas foram pintados com tinta spray prata. Para fazer isso melhor eu uso o seguinte macete: prendo tudo com uma linha de costura, como uma daquelas fiadas de caranguejos que se vende em beira de estrada. Depois é só pendurar e mandar tinta:



Tudo pronto, foi só colocar as lâmpadas, a fiação e prender as duas luminárias em uma cantoneira. Esse conjunto foi montado em um tripé do tipo que músicos usam para apoiar partituras. Esse tripé eu ganhei, pedindo na cara dura, em uma casa em que entrei à trabalho.



A mesma coisa vista por trás:



A forquilha que apóia a cúpula permite ajustá-la nos dois eixos:



A articulação do tripé foi mantida, assim posso usar as cúpulas dispostas na horizontal ou na vertical, dependendo de onde se precise direcionar a luz.
Uma chave liga/desliga foi instalada temporariamente na cantoneira e aciona as duas lâmpadas ao mesmo tempo. As pontas dos fios estão ligadas à garras jacaré porque o rabicho definitivo ainda não foi comprado. Pra essa gambiarra eu quero usar fio PP, mas ao contrário do que eu pensei, não tenho mais dele em casa, então na segunda-feira comprarei alguns metros e finalizarei o trabalho.

 .

Por fim, uma visão geral do serviço deste domingo:



Mesa Agitadora para Soluções

Quando eu era adolescente fiz um cursinho de eletrônica e colecionei avidamente revistas Saber Eletrônica, Be-a-Bá da Eletrônica e Divirta-se com a Eletrônica. E é claro que fazia minhas próprias placas de circuito impresso, mas o percloreto de ferro demorava demais pra agir, então fiz um agitador rudimentar para que ele tivesse mais contato com o cobre.
Recentemente peguei umas peças de ferro para limpar com ácido e tive o mesmo problema, então decidi fazer outro agitador, desta vez um pouquinho mais caprichado.
Tendo a idéia na cabeça, tudo começa com aminha volta do mercado para casa. Passando em frente à casa do vizinho vejo pedaços de um rack daqueles bem vagabundos, pequei as duas peças que fazem as colunas laterais. Eles são de MDF e estavam bem sujas e maltratadas:



Depois de cortadas e lixadas pelo tratorzinho da foto acima, ficaram assim:



As chapas de MDF foram cobertas com emborrachamento preto da Dupont.
 A idéia é fazer uma base que suporta uma prancha de madeira que fará o movimento de gangorra, sobre essa prancha vai um recipiente com o material a ser limpo e o ácido, que agitado, terá efeito mais rápido. Isso serve também para solventes e desengraxantes.
Para ligar uma prancha à outra fiz dois suportes com pedaços de barra chata que tinham aqui na caixinha de sobras. O motor é o que gira pratos de microondas, facílimo de achar em sucatas. O suporte do motor foi cortado na tampa da um drive de CDs detonado. O eixo para a articulação (biela), fiz com um arame grosso e duro pra diabo, que foi moldado na frente do maçarico de GLP. Na foto ela ainda estava inacabada, vacilo meu
Tudo foi pintado com tinta spray prata.



Aqui podemos ver a articulação da prancha superior:



Só pra ficar diferente resolvi de última hora colocar o motor na prancha de cima, e não na de baixo. Todas as fixações foram feitas como parafusos auto-atarraxantes.



Aqui a articulação que liga o motor á base e gera o movimento ondulatório:



Visto de outro ângulo:



Finalmente pronta:




Eu pensei em fazer um painel com uma chave liga/desliga e lâmpada piloto, mas como é uma coisa que vai ficar guardada na prateleira pra ser muito pouco usada, achei que apenas um rabicho com tomada indo diretamente ao motor seria o suficiente.
Testei e funcionou sem qualquer problema, o motor é de 6RPM, o que quer dizer que ela pende pra cada lado seis vezes por minuto, por esse motivo achei desnecessário fazer um vídeo demonstrativo.

Por questão de segurança deixei junto à mesa um tabuleiro de bolo em alumínio, bem velho que a patroa não quer mais usar. Ele ficará sobre a mesa e será uma primeira barreira caso haja vazamento do líquido que estiver sendo usado para limpeza:




Custos:
Barra chata__________R$2,00/kg
Tomada_____________R$1,50
Madeira_____________Grátis
Emborrachamento_____Já tinha
Parafusos____________Já tinha
Tabuleiro____________Ganhei da minha mãe