domingo, 31 de julho de 2011

Restauração de um Mixer Walita


Gosto muito de cozinhar, e assim como na oficina, na cozinha também é necessário ter as ferramentas certas, e uma das que mais uso é o mixer. Eu tenho um bem antigo, que herdei da minha mãe, é pesado, robusto e extremamente forte, parece um motor de popa. Esse é um Walita Mix, só que a marca já foi apagada pelo tempo e sua carcaça foi pintada, mas funcionava muito bem e sempre era solicitado para trabalhos pesados; para coisas leves uso um Mondial Versatile que é fraco e frágil como um brinquedo.
Acontece porém, que outro dia peguei o mixer antigo para fazer uns caldos, e pra minha (desagradável) surpresa, uma parte dele estava quebrada.


  
Como você deve ter visto, essa peça já havia sido parcialmente restaurada, as aletas originais tinham quebrado e foram substituídas por peças feitas a partir de um cano braço de PVC e coladas com Araldite. Mesmo a restauração tendo resistido até hoje, o corpo da peça chegou ao seu limite de fadiga, então consertar novamente estava fora de questão.
Já que tinha que arrumar uma coisa, vamos logo ver o que mais tem a se fazer. Desmontei todo o mixer para ter uma geral da situação:


Comecei pelo rotor os eixos foram lixados para retirar a sujeira e oxidação, os comutadores estavam bem oxidados e foram limpos com uma lixa d’água nº 500 e os fios receberam a proteção adequada de uma nova camada de verniz.



O motor é do tipo imã permanente, e sua carcaça estava boa, só recebeu uma nova camada de verniz. As demais peças levaram um bom banho de gasolina.


Aí você me pergunta: “Mas Ronaldo, gasolina é um bom desengraxante?” Mais ou menos. Existem desengraxantes muito melhores e mais apropriados no mercado, mas que são caros, vendidos em casas especializadas e geralmente em grandes quantidades. para uso caseiro a gasolina apresenta inúmeras vantagens: funciona bem, pode ser comprada, literalmente, em cada esquina, na quantidade que você quiser e é baratíssima, com cinco reais de gasolina você desengraxa um carro inteiro. Por isso ela é minha opção. AH, vale lembrar que gasolina, assim como qualquer combustível ou solvente, deve sempre estar em recipientes adequados, e o banho nas peças só deve ser dado em recipiente de metal ou vidro, e não em potinho de iogurte, como na foto.
Mas voltemos ao assunto. Após a limpeza algumas das peças ainda tinham sinais de corrosão, então foram para o banho ácido, do qual não vou falar muito pois já foi explicado em outro tópico.

Peças preparadas:


Imersão no decapante:


Anulando o efeito do ácido:


Prontas:


Agora sim, com tudo revisado é chegada a hora de refazer a peça perdida. Como eu sempre digo, a melhor ferramenta de um gambiarreiro é a sorte. E por sorte eu tinha a matéria prima certa para começar a manufatura da peça nova, um cap para instalação hidráulica doméstica.



Essa peça é usada para tapar a saída de canos de água de 50mm, e pela graça da Providência Divina era de um material extremamente bom para se trabalhar e exatamente nas proporções que eu precisava. Comecei refazendo os furos:


Depois marquei a largura das aletas e fiz os cortes longitudinais com a serra de arco. Usar uma lâmina de 24 dentes para melhor acabamento.



Por fim os cortes transversais foram com a mini retífica e disco abrasivo.


Aqui, ao lado da peça original, ainda sem o acabamento:


E aqui apenas lixada, para remover as marcações do fabricante e preparar para a superfície para receber a tinta.



Aqui já devidamente acabada, pintada e pronta:





Para garantir que na hora de colocar no lugar o alinhamento fosse perfeito, prendo as hastes de suporte ao seu lugar original, assim não haveria erros. A fixação foi sob pressão, mas nas pontas nas hastes coloquei um pouquinho de Araldite, só pra garantir.


E finalmente o mixer montado e pronto para voltar à atividade



Uma visão dele por inteiro, o cabo de força foi trocado por um novo e mais longo, e aproveitei para instalar uma tomada no novo padrão.



Outro dia, antes dele dar problema, estava eu na sucata quando vi um motor igual, com as hastes, o eixo e a peça que eu refiz. Acredita que eu coloquei de lado para depois pegar e acabei esquecendo? Que pena, não? Mas se eu achar outro mixer desses à venda, seja em brechó, sucata ou qualquer outro lugar, nem penso duas vezes antes de comprar, ele é muito bom e infinitamente superior aos modelos atuais.

É isso aí, espero que você goste e fique à vontade para deixar comentários e opiniões. E não se esqueça de dizer seu nome, para eu poder conhecer melhor os visitantes.

domingo, 24 de julho de 2011

Dobradeira de Chapas

Uma das dificuldades que eu tinha ao fazer uma gambiarra era: como acondicionar isso com boa apresentação? Hoje em dia se acha sucata de aparelhos que nos fornecem bom material, mas nem sempre temos tempo ou sorte de achar o que é necessário. Como agora tenho uma solda de ponto, me faltava outra ferramenta pra poder fazer minhas caixinhas, uma dobradeira de chapa.
Um modelo desses é caro e grande, então usei o mesmo princípio pra fazer um modelo do tipo Fácil-Barato-Faz-Com-o-Que-Tem-Em-Casa-e-ainda-Funciona. Vamos lá:
Comecei com três pedaços de metalon 5 x 3, cada um deles com 67cm de comprimento.


Dois deles foram presos por grampos C, de modo a ficarem bem alinhados e evitar que a chapa a ser dobrada ganhasse um dente no lugar de um vinco. Depois de alinhados e presos ganharam quatro furos de ½ polegada onde passarão parafusos de ½ x 3 que segurarão a chapa a ser trabalhada. Primeiro furei com ¼ e depois fui aumentando a broca pra melhorar o acabamento e evitar fadiga do material e da furadeira.


As rebarbas do furo têm que ser aparadas, nada pode impedir que as duas peças de encostem o máximo possível.


Se tudo estiver certo, ao passar o parafuso pelos dois metalons e apartar bem ele será capaz de prender até uma folha de papel:


Ok, agora temos as duas peças que, quando aparafusadas, segurarão a chapa que vamos dobrar; agora vem a fixação da peça móvel, a dobradora em si. Pra isso usei dois pedaços de cantoneira com 22mm de lado e 3mm de espessura. Essas peças sofrem pressão, então não podem ser finas. Três furos mais um corte e elas ficaram desse modo:


Na peça móvel soldei um eixo de cada lado, eles servirão de pivô nas cantoneiras que acabei de mostrar.


A foto abaixo mostra melhor:


As cantoneiras serão fixadas na parte de baixo daquela dupla lá do início, e como a parede do metalon é espessa o suficiente fiz os furos com broca e abri rosca com machos de ¼, medida dos parafusos que usei em toda a ferramenta:



A peça móvel será manipulada por uma alavanca de 45cm feita com metalon de 3 x 2. Pra fixar uma à outra eu soldei uma cantoneira que receberá quatro parafusos. Essa pode ser mais fina:


E aqui podemos ver todas as peças prontas, apenas aguardando para serem pintadas e montadas:


O bom mesmo seria ter essa ferramenta fixada em um lugar próprio, mas como me falta espaço, tive que fazer uma fixação provisória na bancada. Pra isso fiz dois furos no tampo da bancada, com a mesma medida dos furos das cantoneiras. Por baixo do tampo passei estas peças que são usadas na movelaria, mas não sei como se chamam. Por cima coloquei os parafusos e fui apertando até que essas porcas diferentes cravassem por baixo da madeira. Agora por cima só se vê um buraco na madeira, por baixo tem uma fixação forte e eficiente.


Quando vou usar a dobradeiras prendo à bancada, quando termino tiro dois parafusos com a chave 11 e pronto, tenho meu espaço de volta. Em breve farei um espaçador decente, mas pra testar usei dois pequenos pedaços de madeira mesmo, ele evita que as cabeças dos parafusos de ½ toquem na bancada:


Como houve solda, enchi os metalons com óleo pra evitar ferrugem, e o acabamento foi feito com tampões próprios, comprados por R$0,45 em qualquer boa loja de ferragens.


Aqui, finalmente, ela montada.
Aberta:


E fechada:


O primeiro teste foi num retalho de chapa, apenas pra ver se estava tudo nos conformes:


Ficou tão bom que o teste acabou virado uma capa pra proteger a campainha da chuva:


Dessa vez ao invés de filme, fiz um GIF animado com ela abrindo e fechando (clique na imagem para ver).
Bem, é isso, espero que gostem e seja útil pra alguém.




Os custos:

Metalon..........................................R$1,50 o quilo na sucata
Parafusos de 1/4..........................Menos de 1 real
Parafusos de 1/2 polegada........R$1,50 cada
Borboletas....................................R$0,45 cada
Acabamentos grandes...............R$0,45 cada
Acabamento pequeno................R$0,30

Miudezas como tinta, solda, essas coisas nem precisa calcular.

É isso aí, espero que você, goste e fique à vontade para deixar comentários e opiniões. E não esqueça de dizer seu nome, para eu poder conhecer melhor os visitantes.

Base Giratória para Pintura


De um forno de micro-ondas muita coisa se aproveita, e disso ainda vou falar muito aqui no blog. Mas um dos itens mais prosaico a se resgatar talvez seja a base do prato. Aquele anel de plástico com três roletes. E é justamente em cima (literalmente) dele que será feita a gambiarra de hoje. Vamos lá:
Quem pinta pequenos itens sabe que é mais cômodo distribuir a tinta por todos os lados sem ter que ficar rodando em torno do objeto, mais prático é que ele rode enquanto manuseamos a pistola de pintura, e pra isso uma base giratória se faz necessária.
Como fazer: primeiro pequei um pedaço de chapa, dessas que se usa para fazer calhas de captação de chuva, e cortei duas tiras um pouco maiores que o diâmetro do anel.



As tiras receberam acabamento e foram furadas no centro e nas duas extremidades, para a passagem dos parafusos, depois foram presa no anel desta forma:



Depois veio a parte da madeira. Peguei um compensado de 10mm de espessura, limpei, cortei em duas placas de aproximadamente 40X40, lixei e de uma camada de seladora.



Ficou assim



Aí vem a montagem, tudo será travado com este parafuso próprio para madeira, com 40mm de cumprimento:



Fiz um furo passante nas duas chapas, exatamente no centro. Na chapa de cima o furo foi aumentado para que a gola (parte sem rosca) do parafuso corresse livre, mas sem folga. E ainda foi feito um escareado para acomodar a cabeça do mesmo. No cruzamento das chapas metálicas o furo foi do mesmo diâmetro, e na chama inferior o furo foi pequeno, para que o parafuso entrasse justo, travando o conjunto. Ficou desse jeito:



E aqui já em uso:



É, o gordo da foto sou eu.
E pra não dizer que essa foi pouco gambiarrada, os pés da base foram feitos com tampas de refrigerante:



Boas, eficientes e baratas.

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Fone de Ouvidos à prova de Ruídos


Hoje uma gambiarra simples, mas muito útil. Aqui em casa temos um pequeno problema. Na verdade três: um vizinho banana que trata o filho de oito anos como se fossem colegas da mesma idade; a vizinha histérica que grita com o marido e o filho o dia todo; e finalmente o filho, que estando aos cuidados dessa dupla, chora a cada 5 minutos e faz escândalo até conseguir o que quer.
Bem pertinho desta maravilha estou eu, que, mesmo usando o fone de ouvidos, quando estou ao computador, muitas vezes não consigo ouvir minha musiquinha em paz.
O fone até então usado era um Aiwa, daqueles que invadiram o Brasil entre o boom das importações e o domínio dos chineses. Fone muito bom, mas pequeno e que não impedia em nada a entrada de ruídos externos. Fui ao comércio ver o preço de um daqueles grandões, da Philips e desanimei, está acima dos oitenta reais. Como minha ideia era usar só mesmo em casa, parti para a gambi.
Os doadores foram estes três fones: o de baixo é uma bosta da Coby, tem um som horrível, mas o fio é longo e tem controle de volume, só estes dois itens foram aproveitados. O da esquerda prestou anos de bons serviços, mas agora estava com uma cápsula queimada, ele doou um pedaço de fio que depois eu explico onde foi usado. Finalmente o da direita era o que estava em uso, me doeu o coração tirar as cápsulas, mas o som delas é tão bom que não tinha outra que substituísse. Esse é o que estava em uso.



E o que melhor para deixar de fora os sons indesejáveis que um bom EPI? Ok, não é booom, mas quebra o galho, é leve e foi baratinho: abafador de ruídos Agena 18Db.



A construção em si foi tão simples que nem tem muito do que falar, soltei as cápsulas, o fio, fiz um furo no casco do abafador, passei o fio e soldei lá dentro. Nessa etapa me deparei com um problema, o controle de volume estava ferrado, só passava um canal e dava mau contato no outro, então eliminei este conforto.O próprio acabamento do fio que ficava no controle encaixou no furo do fone e deu boa aparência:



Para evitar dois cabos balançando sob o queixo, liguei aquele pedaço de fio, de que falei lá atrás, na primeira cápsula, passei por dentro do acabamento do arco até o outro fone e alimentei a segunda cápsula:



Por dentro do abafador há uma espuma, como a cápsula tem pouquíssimo peso, foi fixada a ela com fita dupla face, assim fica fácil retirar, se for necessário:



O acabamento para esconder isso eu ainda não coloquei, mas prometo que vai rolar e mostrarei aqui em breve. E o resultado ficou esse:



As cápsulas da Aiwa me dão um som excelente e a acústica lá dentro é ótima. Nenhum ruído externo me atrapalha e o fone é. Pra não dizer que tudo é um mar de rosas, existe um problema. Minha esposa tem que vir aqui falar comigo, porque mesmo gritando eu não a escuto.


Custos:
Abafador de Ruídos Agena Mod ATR CA 269...........R$10,00
Fone nº 1..........................................................................R$ 0,00
Fone nº 2..........................................................................R$ 0,00
Fone nº 3..........................................................................R$ 0,00


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domingo, 3 de julho de 2011

Remoção de Ferrugem


Outro dia ouvi, no serviço, uma coisa que já não é mais novidade, alguém disse que achou uma coisa velha na ruía e lembrou de mim. Ate trouxe a tal coisa velha, um alicate universal em estado de miséria. Esse aqui:






Eu já tenho mais alicates universais do que realmente preciso (se bem que ferramenta nunca é de mais), mas resolvi dar um trato nesse por dois motivos, assim deixaria um lá no serviço, para pararem de pedir os meus, e usaria pára demonstrar, aqui no blog, uma coisa bem útil e que já há algum tempo queria compartilhar com vocês leitores, como remover ferrugem de metais. Vamos lá


Primeiro passo, vá até uma loja de ferragens ou similar e compre uma garrafa de Limpa Piso, ou Limpa Pedra. “Mas Ronaldo, nunca ouvi falar nisso” Limpa Pedra é uma solução aquosa a base de cloreto de hidrogênio, ou ácido clorídrico. A forma comercial (essa que você vai comprar) vem impura e em baixa concentração, e é chamada de ácido muriático. É coisa que qualquer pedreiro conhece por se usar em limpeza após colocação de pisos e azulejos. Normalmente vem numa garrafa de 1 litro, verde como aquelas antigas de água sanitária.


MUITA TENÇÃO, LIMPA PEDRA É UM ÁCIDO, MANUSEI-O COM LUVAS E MÁSCARA, E EM AMBIENTE ABERTO E AREJADO.


Depois arrume um recipiente adequado ao tamanho do objeto que será decapado (removida a camada superficial, no caso ferrugem), sendo que ele tem que ficar totalmente imerso, mas não convém um recipiente muito grande para não haver desperdício.


ATENÇÃO, NÃO USE RECIPIENTE DE METAL OU MADEIRA EM HIPÓTESE ALGUMA. APENAS PLÁSTICOS OU VIDROS SERVEM.


Eu usei uma daquelas bandejinhas de isopor em que vem coisas do mercado. Ah, isopor também serve.






O Limpa Pedra normalmente é transparente como água, mas dependendo da marca pode ser amarelado. Quando se mergulha a ferramenta, de imediato não acontece nada, mas em aproximadamente um minuto começa a reação e acontece a formação de bolhas de gás que se desprendem da ferrugem. “Sério?” É, sua ferramenta ferve como um Cebion, mas sem aquecer.


ALÔ MAIS UMA VEZ, DURANTE ESSA REAÇÃO SÃO LIBERADOS VAPORES ÁCIDOS, ENTÃO A MENOS QUE VOCÊ TENHA UM SISTEMA EFICIENTE DE EXAUSTÃO, COMO EU, FAÇA ISSO EM AMBIENTE ABERTO E BEM VENTILADO, E LONGE DE CRIANÇAS, ANIMAIS OU QUALQUER COISA QUE POSSA SER PREJUDICADA PELOS VAPORES.


Tá, chega de letras maiúsculas. Após algum tempo já dá pra ver que o líquido está escurecendo e ficando verde, as bolhas estão diminuindo e o aço está ficando cinza escuro, perdendo aquele tom avermelhado. Isso quer dizer que está praticamente pronto. Observe a foto:







Aqui mais em detalhe:





Não deu pra fazer uma foto muito de perto porque os vapores poderiam detonar minha câmera. Mas como estava com tempo sobrando, fiz também um filminho






Após aproximadamente sete minutos de banho o alicate saiu assim:





Isso, claro após ser bem valado com detergente neutro. AH, mas tem uma coisa, após a decapagem com ácido o metal sai com absolutamente nenhuma proteção contra uma nova oxidação. Tanto é que eu costumo secar com o soprador térmico, porque se você pendurar pra secar, cinco minutos depois ele já está ficando amarelado de ferrugem novinha. O que fazer então? Há duas opções, você pode besuntar a ferramenta com óleo, caso isso seja praticável,  ou aplica imediatamente um fundo ou pintura. Nesse caso optei pela pintura, um esmalte sintético simples, só pra dar acabamento.






Como não havia isolamento no cabo e eu não tenho fita isolante líquida, fiz um improviso que se vê muito por aí, e que funciona, embora eu particularmente não aplique aos meus alicates: usei mangueira de PVC 5/16 x 1,5. O segredo para que ela não escape é usar uma medida interna menor que o cabo do alicate. “Ah, Ronaldo, mas se ela é menor que o cabo do alicate como é que encaixa?” Fácil, você empurra até que não entre mais, aí aquece a ponta dela com o soprador térmico e empurra mais que ela  vai te quase a articulação. Aí é só cortar pouco depois do cabo e fazer o mesmo no outro cabo. “Mas Ronaldo, eu ainda não tenho um soprador térmico, posso aquecer com o isqueiro?” Nada de isqueiro, use uma mangueira mais larga, que entre com facilidade, passe cola de silicone, ou outra de boa qualidade, no cabo, encaixe e deixe secar completamente. Pronto.

domingo, 26 de junho de 2011

Frenage do Filtro de Ar 2.0


Se você ainda não conhece a saga do filtro de ar do meu carro, clique aqui e não pegue o bonde andando, porque essa postagem aqui é uma continuação.

Bem, agora que você já sabe que uma frenagem é um recurso de segurança usado em carros de competição e porque eu fiz isso no meu carrinho capenga, vamos ao que interessa. Como a coisa foi feita no improviso, resolvi dar uma caprichada. Embora o desempenho do primeiro tenha sido muito bom, fiz algumas modificações, como proteger o gancho que pega no filtro de ar para evitar riscar a futura pintura, uma forma melhor de pegar para remover, uma ancoragem mais caprichada e molas mais apropriadas.
O material usado foi esse aqui, cabo de aço revestido com nylon, usado em pesca. Não sei dizer a capacidade de tração que ele suporta, mas isso é irrelevante considerando o esforço que será aplicado. As anilhas são na verdade roletes retirados de velhas fitas de vídeo cassete, muito úteis nesses casos. As molas, segundo o balconista, são de acelerador de Fusca, mas não perguntei o modelo ou ano, custaram R$1,00 cada, e eu trouxe uma de reserva. 



Os ganchos antigos foram substituídos por novos, feitos de material mais espesso e resistente, e com uma alça para facilitar colocar e retirar, e a ponta foi revestida com uma mangueira de silicone, para evitar contato direto entre metal e tinta



Na primeira versão as ancoragens foram feitas na tampa do motor e na estrutura, mas o espaçamento não ficou bom, as molas ficaram mais pra um lado que pro outro, o que fez com que a pressão puxasse o filtro de forma desigual. Embora isso não tenha causado problemas até o dia de hoje, era uma coisa que me incomodava porque eu sabia que estava mal feito e era fácil de melhorar, então melhorei. Mudei os pontos de ancoragem, o da estrutura saiu de um buraco horizontal e foi para um vertical, mas como essa era para dentro de um perfil fechado, precisei adaptar. Pequei um pedaço de barra rosqueada de 1/4 com uma polegada de comprimento e fiz um furo passante, onde o cabo de aço atravessaria.



Em uma das pontas fiz um corte de aproximadamente 1,5mm, com o arco de serra, para encaixar uma chave de fenda que auxiliaria na fixação. O cabo de aço foi passado pelo furo e fechado com uma anilha, ficando assim:



O tal furo (assinalado com a seta) era pequeno, então foi aumentado com uma broca de 5,0mm e a rosca feita com a passagem de um macho de ¼.



Com o auxílio de uma porca sextavada e uma arruela de pressão esse conjunto foi firmemente ancorado à estrutura do carro.



Esse foi o ponto de fixação de um dos frenos do filtro, que ficou assim.



O segundo freto foi feito nos moldes do antigo, com a mesma arruela, inclusive, mas com a nova mola para termos pressões iguais dos dois lados. E a localização também mudou, indo do parafuso mais à direita, para o mais à esquerda, ainda na tampa do motor. A opção pela porca do tipo borboleta não tem qualquer valor técnico, eu apenas não tinha uma porca sextavada naquele fio de rosca.



E para finalizara, uma homenagem a uma outra gambiarra, da qual falarei num futuro próximo, e sem a qual esse serviço não poderia ter sido realizado à noite. Meu tripé de iluminação:


Espero que tenham gostado, e não esqueçam que comentários são sempre bem vindos.